Meu filho, quando descobri que estava grávida eu chorei. Mas foram lágrimas de alegria.

Eu comi demais. Enjoei de muita coisa. E engordei! Para meu desespero, vi as minhas calças gradativamente não servirem mais e pensava: será que um dia vou voltar a usá-las?

Vi minha pele apresentar marcas conforme ela esticava e você crescia. Chegou a um ponto em que pedi em pensamento que você logo saísse. Não por não gostar de sentir-te mexer, mas porque minhas costas já não aguentavam mais tanto peso. Meus pés incharam a ponto de meus calçados ficarem apertados. E eu ansiava ver seu rosto e poder dizer: eu te amo.

Algumas vezes eu cantei para você canções sem nexo, melodias que eu inventava enquanto lhe segurava nos braços. Infelizmente a mamãe não é uma boa cantora!

Também lhe contei várias histórias de príncipes que tinham dragões como melhores amigos, ao contrário da maioria dos livros de fantasia, nas nossas aventuras não haviam disputas por territórios e guerras. Eu queria te proteger, fazer com que isso só lhe chegasse aos ouvidos quando fosse inevitável.

Já dormi com você nos meus braços enquanto lhe amamentava nas longas madrugadas.  Ao acordar eu demorava alguns segundos até perceber que você também dormira e ainda estava aninhado em meu colo. Lembro de agradecer à Deus por não tê-lo deixado cair.

Mas já chorei por estar cansada, meu filho. Chorei. E deixei seu pai doido, sem saber o motivo de tanta lágrima. Ser mãe, cansa às vezes.

Filho, eu já errei. Errei muito e, desculpe, mas vou errar outras milhares de vezes. Também vou ter que lhe negar coisas, infelizmente essa é a melhor forma de aprender algumas lições. Mesmo que eu esteja errada, essa é a minha forma de lhe proteger.

Eu vibro com suas pequenas vitórias. Lembro ainda hoje quando lhe vi sentar sem precisar de ajuda. Pegar brinquedos com a pontinha dos dedos e levá-los à boca. Porque tudo, meu filho, acaba sempre na sua boca. Hoje eu entendo o conselho de outras mães sobre a importância de ficar sempre de olho, mas é quase uma habilidade intrínseca das mães: elas sabem prever o futuro.

Eu rezo sozinha para que você esteja sempre protegido e nem sou religiosa. É um pedido para Deus, um homenzinho gente boa que cuida de bebês enquanto as mães tiram um cochilo.

Ser mãe é sensacional. É experimentar um amor que não tem tamanho! É entender que você é sim o meu melhor pedaço. É aquele clichê: ter o seu coração batendo fora do peito. 

Mas, ser mãe também é um desafio. É um aprendizado constante, é abnegação consciente. É uma escolha!

Eu não escolheria deixar de ter estrias, ter engordado, ter dormido pouco ou chorado nas madrugadas, nem por um segundo sequer. Ser mãe é sensação mais maravilhosa que eu poderia ter experimentado.

 

Beijos para o meu filho, Alec.

E que venha o meu primeiro Dia das Mães com o meu bebê de 7 meses!

Ká. =*

 

Join the discussion 2 Comentários

  • Pam Machado disse:

    Amor, muito amor nos seus textos. Alec é o filho mais sortudo do mundo por ter essas lembranças todas registradas para ler quando crescer e só ter a certeza absoluta em forma de palavras (porque de gestos ele já tem) de que é muito, muito amado desde sempre.

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