Quando nasce um filho, nasce uma mãe? E um pai?

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  • 29 de dezembro de 2015

A afirmação “Quando nasce um filho, nasce uma mãe” me fez ficar pensativa e decidi escrever sobre isso.

Sinceramente, não acho que seja assim tão simples.

Você não deixa de ser o que sempre foi e se torna algo novo com a maternidade. Mas sim, você se descobre bem mais forte que achava ser possível. Afinal, conseguir sobreviver com menos de 6 horas de sono por dia (e no total, afinal, são poucas as mães que desde o início têm filhos que dormem esse tanto seguido) não é para qualquer um. Só que, pelo menos ao meu ver, você não se descobre mãe de uma hora para outra. Você passa por um período de adaptação inicial (tenso!) e depois os três (mamãe, papai e filho) aprendem juntos o que é a maternidade.

Então eu mudaria para “Quando nasce um filho, nasce uma família que precisa se adaptar à nova vida”. Já falei que sou contra a glamourização da maternidade e expus os meus porquês. Eu acredito que essa frase dá uma forçada foda. Porque, salvo se você é iluminada, ninguém te prepara para ser mãe (nem mesmo ler todos os livros, frequentar cursos e etc) porque na prática o bicho pega e não há literatura que ensine o jeito de criar seu bebê.

Claro que muitas coisas são instintivas, outras são na base do chutômetro mesmo. Só que a relação entre os envolvidos no processo é construída aos poucos. Nem toda mãe vê o pequeno bebê que acabou de nascer e pensa: NOSSA, agora vem cá que estou preparada! Eu mesma pensei: $%#^&, e agora? Simplesmente porque quando você se vê frente a frente com um filho recém-nascido, logo após dar a luz, os seus hormônios em rebuliço não te deixam pensar com lucidez. hahaha Você, e seu marido também, precisam de um tempo para se adaptar.

Eu tive muita dificuldade de me adaptar nos primeiros 2 meses. O mais difícil? Ficar sozinha. E o agravante? As cólicas do inferno (que passaraaaaaaaaaaam, ALELUIA!). É quase impossível manter a sanidade durante esse período. Sério! Você que pensa em engravidar ou já está grávida – este recado é para você – a máxima “isso passa” é real, só que pra quem sente na pele é foda mesmo. Quando você chegar ao seu limite (que você irá descobrir que é quase ilimitado), tudo melhora.

Ahhhhhhhh.

Ahhhhhhhh.

Eu lembro de um dia, enquanto eu nem estava grávida ainda, uma amiga minha leu um post (que eu infelizmente não lembro de quem) em que uma mãe de um bebê maiorzinho perguntava no elevador para uma recém chegada à maternidade (menos de 15 dias – ou seja – antes das cólicas começarem) se ela já quis jogar o filho pela janela. E lembro que a menina se revoltou pensando em como alguém seria capaz de sequer cogitar essa possibilidade. Minha visão: COM CERTEZA ela mudou de opinião após alguns dias. hahaha Eu mesma pensei em dar meu filho pra adoção (PECADO! Mas só da boca pra fora) nas inúmeras tardes de choros intermináveis. Cheguei a pensar: O QUE FUI FAZER DA MINHA VIDA?! Sinceramente penso que mais mães (e pais!) chegaram a pensar em coisas parecidas (mas uma galera não fala com medo da reação das pessoas, que cara, são geralmente seguidas de uma frase do tipo “Que horror!”), porque você perde a lucidez após horas de agonia e saculejação. hahaha Maaaaaaaaaaas aí, depois de alguns dias (que parecem anos) o seu filho começa a sorrir, falar gugudês e as cólicas acabam. Numa definição nerd é como se seu filho tivesse sido Shift+Del e substituído por um através de um Crtl+V sem os problemas. Simplificando, um novo bebê após as cólicas.

Portanto, para fechar, penso eu que a afirmativa é verdadeira (…) só que simples demais. Não aconteceu comigo de eu ter o bê e do nada me descobrir mãe. Bom, sim. -.-‘ Mas só da boca para fora, porque ser mãe é muito mais que trocar fralda e dar de mamar. O amor maternal (e fraternal) se constrói e pode não ser instantâneo – alguns fatores interferem, tais como: como foi a gravidez (planejada ou não?), se o parto foi tranquilo, se você é ansiosa, etc. Como toda relação, nesta o amor também é fortalecido com o tempo e cada dia fica mais intenso. Agora eu posso dizer que estou curtindo a maternidade de verdade. Já dá para levar o Alec para passear beeeem tranquilo, almoçar fora sem ele chorar descabelantemente e tomar café sossegada (conversando com ele em baby language). Meu sonho no momento: voltar a dormir mais de 6 horas seguidas! Mas né, um dia a gente chega lá! ;]

Beijos, Ká.

 

 

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