O que muda com a maternidade

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  • 2 de março de 2016

— Amor, acorda! São 7h, já estamos atrasados.

Saudades desse tempo (…)

Hoje está mais ou menos assim:

— Ainda são 5h30m Alec, dorme mais um pouquinho.

O que muda depois de um filho? Muda tudo, só não mudam as pessoas. Mas as pessoas mudam. Confuso?!

Eu não mudei no percurso, ou melhor, durante a gravidez. Não comecei a ver o mundo colorido que algumas mães vêem, talvez eu seja realista demais. Ou quem sabe não tenha conseguido curtir tanto pela rotina louca que sempre tive. Mas hoje vejo que mudei após o nascimento do pequeno. Ô se mudei (…)

Mas o que mudou?

O ponto mais claro é a minha relação com crianças. Não, não mudei ao ponto de querer brincar com todas as crianças do mundo. Para isso eu precisaria nascer de novo, rs. Mas eu comecei a ver o mundo pelos olhos delas. Após o nascimento do meu filho eu parei. Parei para apreciar o momento, parei para dizer oi para as pessoas, parei para escutá-las. E sim, dei um tempo para ver o que tem de tão legal na luminária da minha sala. Porque ao que parece o lustre que gira (leia-se: ventilador de teto) é sensacional demais para o meu filho. Esses dias cheguei a deitar no chão ao lado dele, ficar olhando para cima enquanto o ventilador girava e pensar: realmente pintamos o teto de casa muito mal (hahaha). Mas então, o que de tão legal meu filho vê ali? Aí que está, você começa a apreciar as pequenas coisas de novo e agradecer muito mais por poder parar para olhar um simples ventilador, por exemplo.

Mudei minhas prioridades. Sim, você começa a pensar mais no futuro. Mas se preocupa muito com o hoje. É caro demais ter um filho, ainda mais quando têm 400 crianças na sua frente na fila da creche pública. Se vale a pena? Cada centavo, segundo e lágrima.

Vamos praticar, o mundo agradece!

Vamos praticar, o mundo agradece!

Voltando as prioridades, comecei a me preocupar com a gentileza. Sempre gostei da frase “Gentileza gera gentileza”, mas hoje faço de tudo para que meu filho cresça em um mundo mais gentil. Penso que se ele nos ver dando bons exemplos poderá repeti-los. O mundo já é grosseiro e preconceituoso demais para que nós não ensinemos nossos herdeiros o que deveria ser o certo. E outra, não fará sentido algum cobrá-lo de algo que ele nunca me viu fazer. Por isso cuido muito mais sobre dar o bom exemplo hoje!

Hoje tenho mais medo. Medo de apostar em algo e dar errado. Medo de me jogar em alguma aventura para algum destino doido. Medo de entrar num bar, fazer amigos que nem falam a minha língua e dar risada até amanhecer. Disso sentirei sempre saudades, mas não tenho mais a coragem de dizer: Bóra lá! Mas o que eu desejo? Que meu filho diga: Estou indo, mãe. Mesmo com o coração em pedaços quero poder dizer para ele ir e conhecer o mundo, fazer estes mesmos amigos que um dia eu já fiz e gargalhar até doer a barriga. Porque a vontade de gargalhar nunca irá mudar, se tem uma coisa que eu realmente gosto de fazer é isso (…) e assumo que, às vezes, as gargalhadas atrapalham a vida de outras pessoas.

Mudou o sono. Desde que me tornei mãe já não durmo mais como antes. E não me refiro a quantidade de horas, mas sim ao tipo do sono. O sono tornou-se leve e me acostumei a meras 6 horas de descanso (com interrupções, rs) por noite. Assumo que têm vezes que penso: eu mataria alguém por 8 horas de sono seguidas. Mas aí são 5h30m e meu filho começa a cantarolar (no auge dos seus 5 meses) no berço e penso: não perderia um minuto sequer desse momento em troca de algumas horas a mais.

What?! Sono? Dormir é para os fracos mamãe.

What?! Sono? Dormir é para os fracos mamãe.

E por incrível que pareça, tornei-me mais paciente. Não, não cheguei nem perto do que me falaram que eu chegaria após a chegada da maternidade. Mas melhorei uns 30%! E isso é bastante coisa para mim.

O que não mudou? A essência. Vejo muitas pessoas se perderem com a maternidade, muitas por uma escolha consciente mesmo. Você não deixa de gostar de algo que lhe faz feliz porque virou mãe ou pai, mas pode ser que tenha que abnegar delas por algum tempo. Mas não é necessário viver de pijamas o dia todo, estar descabelada, nunca passar maquiagem ou sair para jantar porque uma criança entrou em sua vida. As crianças se adaptam ao ritmo dos pais, ou pelo menos, conseguimos aproximar ao máximo do que estávamos habituados. Mas não é fácil, exige sim um pouco de empenho. Mas vamos falar a verdade, a gente consegue. 😉

Um beijo, Ká.

 

 

Join the discussion Um Comentário

  • Muda tudo e ao mesmo tempo não muda!
    E é por isso que as verdadeiras amizades continuam, porque conseguimos entender que a pessoa está numa fase completamente nova, com uma rotina bem diferente, mas que na verdade nossa velha amiga ainda está inteira ali! Claro, ela não vai mais pra balada contigo pra beber até morrer… (mas isso nem você faz mais, ou faz?!), mas ela está ali pra um café/jantar/desabafar!
    E no final é isso que importa! 😀

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