O desafio da igualdade entre mães e pais

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  • 18 de junho de 2017

Antes de mais nada, assista o vídeo abaixo.
Afinal, o post leva em consideração alguns fatos apresentados nesse depoimento.

A ideia é conversar um pouco sobre o desafio da igualdade entre mães e pais com uma visão realista, sincera e bem humorada.

E aí, o que achou?

Não considero o vídeo uma representação fiel da realidade, ele distorce vários pontos e exagera (bastante!) em outros. Mas não deixa de nos deixar incomodadas, afinal, o machismo ainda é algo presente no dia a dia das mães.

Eu, particularmente, não gosto da ideia de pedir ajuda ao meu marido em questões relacionadas a casa ou ao nosso filho. Não faz sentido algum delegar à mulher a função de organizar a casa, cuidar do filho ou se responsabilizar pelas compras do mercado sozinha. Para mim, a ajuda é mútua e as funções são iguais para os dois. A única diferença é que eu tenho peitos e, por alguns meses, era delegado à mim a função de alimentar nosso pequeno. Esse papo de “ele é excelente, me ajuda em casa” ou “tenho um lindo marido que lava a louça sempre que eu peço” me dá uma puta preguiça. Se tem algo que me irrita é ter que pedir algo para que algo óbvio aconteça (…) vai lá e faz. Está desarrumado? Arruma. Precisa comprar algo para a casa? Anota e depois compra. Não é meio óbvio que precisa trocar a fralda do filho? Que ele precisa colocar pijama? Que ele precisa comer em certos horários? Que o lençol da cama não se troca sozinho toda semana? Que o lixo precisa ser retirado? Ou algo mais simples (!) como ser necessário comprar determinados produtos de limpeza para a sua empregada poder trabalhar, por exemplo. A vida fica muito mais simples quando a responsabilidade e o bom senso são divididos em uma casa. Mas claro que essa é a minha visão e você não precisa concordar com ela.

Quando entramos no assunto mercado profissional o negócio fica ainda mais delicado. Por exemplo, se os dois trabalham fora o mais comum é que se o filho está doente a mãe seja a primeira a ser contatada para que ela fique em casa ou encontre um lugar onde deixar o filho. E isso acarreta em o quê? Que as mulheres, principalmente as que são mães de filhos pequenos, obtenham empregos que remuneram menos, sejam demitidas após a licença ou sejam estigmatizadas por terem que faltar ao trabalho em algumas situações. Por aqui, não rola isso. A gente reveza! Meu marido tem a mesma capacidade que eu de cuidar do Alec e de tratá-lo com remédios, dar carinho e ficar sem dormir. Jamais admiti prejudicar a minha carreira por conta do meu filho e não pensem que isso é egoísmo, eu chamaria de auto-preservação profissional. Agora (…) cada uma faz a sua escolha. E conheço várias mamães que simplesmente preferem ser as responsáveis que sempre serão chamadas pela creche, por exemplo. Mas aí que mora o “X” da questão, isso deve ser uma escolha de ambos. E na maioria das vezes não é, culturalmente falando.

Esses dias li alguns quadrinhos feito pela Emma e traduzidos do francês pela Bandeira Negra que retratam muito bem o que é chamado de “carga mental”. E sim, são quadrinhos feministas (…) só que vou trazer o assunto para o tema apresentado neste post. Se os casais não trabalharem as mentalidades e dividirem as tarefas para que a carga do dia a dia seja igualitária, my friends, vai dar merda! haha Em um dos quadrinhos, o que eu separei abaixo, eu cheguei a dar risadas. Porque retrata muito bem boa parte dos relacionamentos, alguém discorda?

Quadrinho sensacional! 😉

Para haver igualdade é necessário entender que não é responsabilidade da mãe qualquer coisa. Sim, existe o instinto materno. Assim como existe o instinto paterno, oras. Enquanto forem ouvidas frases como “deixa que a mãe resolve” e “pais que ajudam são os melhores”, não haverá igualdade. É necessário colocar a mão na consciência e entender que filho não é uma carga (e na minha opinião também não é uma benção, não sou religiosa!), filhos são seres humanos que merecem o amor dos pais, uma educação digna de criar pessoas boas para esse mundo e livres de preconceitos idiotas, e acima de tudo, são pequenos que precisam ter bons exemplos em casa para que essa igualdade descrita no texto seja simplesmente normal no futuro.

Alguém aí conhece um pai que cuida de um bebê sozinho? Duvido muito que ele não se vire tão bem quanto uma mãe que faz a mesma coisa. E provavelmente ele ainda cuida da casa, da lista do mercado, sabe o tamanho do calçado que o filho usa e assim por diante. Quando aceitamos a igualdade, não há espaço para pregar que existem diferenças natas entre os sexos. Ponto!

Em minhão opinião existem 3 pontos que precisam ser muito trabalhados na mente das pessoas para que a igualdade seja alcançada entre pais e mães:

  1. A licença maternidade/paternidade deveria ser repensada com urgência;
  2. Os próprios casais deveriam começar a repensar as relações e partilhar as atividades com bom senso e, por favor, parar de responsabilizar uma parte ou outra por coisas idiotas e totalmente partilháveis;
  3. Nós mesmos precisamos nos permitir pensar diferente.

Lembro quando eu estava de licença, bem no comecinho da nossa aventura paterna, e eu achava que como meu marido saia para trabalhar no outro dia eu deveria deixá-lo dormir enquanto eu ficava acordando várias vezes para atender aos chamados do Alec. Depois de um tempo eu estava tão cansada que a minha depressão pós-parto havia piorado horrores, claro, eu não descansava nunca. Hoje eu penso: Foda-se! Revezamos, ponto.

Conheço muitas mulheres que são as responsáveis pela saúde financeira da casa, hoje isso está cada vez mais comum. Como você vê isso? É normal, antiquado ou estranho? É ruim, indiferente ou excelente? Eu acho que é OK. Não me vejo em casa cuidando do Alec, não que eu não curta ficar em casa com ele, mas porque me considero totalmente entediante para uma criança e minha paciência é muito pequena para birras. Mas cada família tem a sua realidade, portanto para mim as respostas seriam: normal e indiferente. Mas ei, dentro da ideia do compartilhamento das tarefas, certo? 

Para terminar, uma pergunta: O que você está fazendo para tornar o mundo dos pais e mães mais igualitário? Só reclamar que um não “ajuda” ou que isso só acontece se você pedir não irá resolver o problema. Pense em todos os exemplos que você dá aos seus filhos, será que inconscientemente você não repete o mesmo comportamento dos seus pais onde o machismo era muito presente e totalmente aceitável?

Beijos,

Ká.

 

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